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    O interesse repentino na Groenlândia

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    Após as polêmicas declarações do presidente eleito Donald Trump, líderes europeus se pronunciaram a respeito dos aparentes ímpetos expansionistas do futuro líder dos Estados Unidos

    A apreensão na Europa é generalizada faltando menos de duas semanas para a posse de Donald Trump. A entrevista coletiva após a certificação da eleição estado-unidense, confirmou o maior temor das lideranças europeias, que um novo governo do magnata norte-americano, requererá imensa habilidade diplomática dos aliados transatlânticos. Talvez a declaração mais preocupante para o continente até agora, além das já esperadas falas em relação à Ucrânia, tenha sido direcionada para a Groenlândia, que por tabela atinge a Dinamarca.

    A Groenlândia é a maior ilha do mundo com mais de 2 milhões de quilômetros quadrados e apenas 56 mil habitantes. Historicamente habitada por Inuítes e geograficamente no continente norte-americano, faz parte oficialmente do Reino da Dinamarca desde 1814, após os espólios das guerras napoleônicas redefinirem as fronteiras e possessões dentro do continente europeu. Em um passado recente foi colônia da Dinamarca e hoje tem o status oficial de um território autônomo do Reino, com seu próprio primeiro-ministro e parlamento local, gozando de maior autonomia em suas decisões desde o final da década de 1970. Apesar da baixíssima densidade demográfica, sua posição geoestratégica é extremamente valiosa para os europeus, mas também americanos, já que sua localização no Ártico está entre o Canadá e os EUA e os seus aliados na Europa. Além disso, não está muito distante da Rússia, atuando como um ótimo posto para as bases militares de países da OTAN, e dissuadindo Vladimir Putin de qualquer ataque.

    Se geopoliticamente é uma região crucial para qualquer potência, economicamente, também é um território extremamente promissor. A Groenlândia na sua vastidão de gelo e neve esconde ricos depósitos de recursos naturais, como petróleo, gás natural, bem como os cobiçados metais de terras raras, cada vez mais procurados pelas gigantes da tecnologia e mineração por serem essenciais para componentes dos carros elétricos, dispositivos de alta tecnologia e turbinas eólicas. Possuir terras tão abundantes em elementos que serão primordiais nas próximas décadas, é dar às empresas de países aliados uma enorme vantagem.

    Em seu primeiro governo, Trump, já havia expressado o desejo de adquirir a Groenlândia, e de fato, não foi o primeiro presidente dos Estados Unidos a vislumbrar a posse de tão imenso território. Ainda no século XIX, o então presidente Andrew Johnson, que comprou o Alasca da Rússia, tinha como objetivo também comprar a Groenlândia, algo que não se concretizou. No século XX, Harry Truman formalizou a oferta de 100 milhões de dólares à Dinamarca, que não aceitou a oferta. Hoje, a possibilidade é novamente aventada pelo futuro mandatário dos Estados Unidos, seja através de uma compra, seja através de uma intervenção militar. Por enquanto, as respostas foram negativas em todos os sentidos, mesmo com a presença do filho, Donald Trump Jr., em Nuuk esta semana.
    Os diplomatas de alto escalão da Alemanha e da França, primeira e segunda economia da União Europeia respectivamente, disseram que “está fora de cogitação para a UE permitir que outras nações do mundo, sejam elas quais forem, ataquem suas fronteiras soberanas “. A Groenlândia está associada ao bloco europeu através da Dinamarca e também é vista como uma região fundamental para os objetivos e segurança geopolítica dos europeus no futuro. Já na Dinamarca, a primeira-ministra do país, Mette Frederiksen reiterou que “A Groenlândia pertence aos groenlandeses”, descartando qualquer hipótese de venda do território aos Estados Unidos.

    As chances de uma aquisição ou anexação do território dinamarquês por parte dos norte-americanos são extremamente remotas, mas o simples fato, de Trump ter conseguido transformar, a muitas vezes esquecida Groenlândia, em assunto global, mostra a força midiática do futuro presidente e alerta a todos os aliados mais uma vez que pelos próximos quatro anos, a linha entre a retórica e as figuras de linguagem e a realidade da política, será cada vez mais tênue.

    *Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

    Fonte: Jovem Pan News

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