spot_img
Domingo, 28 Junho, 2026
More
    InícioPolíticaPolítica InternacionalFuturo presidente do Equador pode enfrentar a pior crise em meio século

    Futuro presidente do Equador pode enfrentar a pior crise em meio século

    Publicado há

    spot_img

    De acordo com o analista político, Leonardo Laso, país passa por momento delicado por conta da violência, do tráfico de drogas e crise elétrica; Daniel Noboa ou Luisa González enfrentará desafios ao longo do mandato 

    Apesar de uma sangrenta guerra às drogas, uma economia em colapso e uma grave crise energética, os equatorianos estão otimistas sobre o futuro do país antes das eleições deste domingo (9). Os últimos anos foram brutais e caóticos para o Equador, uma pitoresca nação andina de cerca de 18 milhões de pessoas que já serviu como um reduto de estabilidade em uma região problemática.

    Cortes de energia causados por uma seca histórica mergulharam o país na escuridão. A violência alimentada pelas drogas levou ao assassinato de um candidato presidencial, ao controle de prisões por gangues criminosas e ao ataque a um canal de televisão por homens armados enquanto seus jornalistas transmitiam ao vivo. Mas uma pesquisa publicada em dezembro pela empresa local Comunicaliza mostrou que mais de 50% dos eleitores acreditam que seu país estará melhor este ano.

    “Por quê?”, perguntam os analistas, menos otimistas. O vencedor entre o presidente Daniel Noboa, que defende a liberalização da economia, ou sua rival esquerdista Luisa González enfrentará vários desafios. “O Equador está passando por um momento muito difícil, acho que está na pior crise desde que voltamos à democracia”, há quase meio século, diz Leonardo Laso, analista político.

    Dolarizado, com portos estratégicos no Pacífico e espremido entre os dois maiores produtores de cocaína do mundo — Colômbia e Peru — o Equador se tornou um paraíso das drogas. “O Equador é o lar das máfias albanesa e balcânica, da italiana ‘Ndrangheta e das máfias turcas”, diz Douglas Farah, consultor de segurança e analista sobre América Latina.

    “E agora você tem gangues locais como Los Lobos e Los Choneros, que lutam por território para que possam transportar o produto através do Equador para seus novos compradores na Europa e na Ásia”, acrescentou. Essa transformação deixou níveis recordes de assassinatos, extorsões e sequestros, que excederam as capacidades das forças públicas.

    Os equatorianos “nunca experimentaram esse tipo de violência”, disse Farah. “Eles estão sendo atingidos por um fenômeno completamente novo, para o qual não estão preparados.” A resposta de Noboa foi mobilizar as Forças Armadas, prender líderes de gangues e interceptar carregamentos de cocaína sempre que possível.

    O presidente deu ao público a sensação de que algo está sendo feito, embora poucos especialistas acreditem que esta seja uma estratégia bem-sucedida a longo prazo. Alternativas como fortalecer a polícia e os serviços sociais, reformar as prisões e criar empregos custam tempo e dinheiro. O Equador tem pouco de ambos.

    No país sul-americano, estradas e infraestrutura, que antes eram motivo de inveja na região, agora começam a se deteriorar. “É muito provável que a economia tenha se contraído no ano passado”, diz o economista Alberto Acosta Burneo. O analista atribui parte da culpa aos apagões ocorridos ao longo de 2024, causados por uma seca que afetou a geração hidrelétrica e levou ao fechamento de empresas.

    No entanto, especialistas também apontam para a falta de investimento. Depois de mais de uma década de gastos sem a receita do boom do petróleo que antes enchia os cofres do Estado, a dívida pública agora está em torno de 57% do PIB, de acordo com o FMI. Noboa foi recentemente ao FMI para solicitar uma tábua de salvação financeira. Mas novos cortes são prováveis, já que o país continua tendo dificuldades para obter empréstimos baratos nos mercados de renda fixa devido à escassez de reservas e a mais de uma dúzia de inadimplências recentes.

    A situação de segurança agravou os problemas econômicos do país, afastando visitantes e investidores. “Não há turistas, não há clientes”, diz Maria Delfina Toaquiza, uma artesã indígena de 58 anos com uma barraca em uma colina com vista para o centro histórico de Quito. Para Laso, a dura ofensiva militar de Noboa para combater o problema das drogas também prejudicou a imagem do país.

    “Ele sai com colete à prova de balas e capacete, declara estado de exceção, fechou as fronteiras durante as eleições por um potencial problema que pode surgir. E quando faz declarações tão duras (…), ele anula qualquer possibilidade de investimento”, considera.

    *Com informações da AFP
    Publicado por Victor Oliveira

    Fonte: Jovem Pan News

    Últimas

    Semana Política em MS: Luto, Investigações e Cenário Eleitoral 2026

    Mato Grosso do Sul registra falecimentos de ex-governador e ex-deputada; Ministério Público e Justiça atuam em casos de improbidade e disputas partidárias. Partidos definem estratégias para as eleições de 2026.

    Mato Grosso do Sul Consolida Liderança em Vigilância de Vírus Respiratórios

    Missão internacional do Ministério da Saúde, TEPHINET e CDC de Atlanta valida modelo integrado da SES e estreita laços de cooperação.

    Lula Acompanha Eleições de 2026 em Mato Grosso do Sul e Endossa Chapa Majoritária do PT

    Presidente da República expressou otimismo com o cenário político local e confirmou apoio às pré-candidaturas de Fábio Trad e Dona Gilda para o Governo, e de Vander Loubet e Soraya Thronicke para o Senado, visando o pleito de 2026.

    LATAM Aumenta Voos para Bonito (MS) com Terceira Frequência Semanal

    Conectividade aérea de Bonito se expande a partir de outubro de 2026, impulsionando o ecoturismo sul-mato-grossense.

    Relacionado

    Astronautas Russos Realizam Concerto Programado

    Jovem Pan News reporta evento cultural protagonizado por cosmonautas.

    Putin Rejeita Encontro Imediato com Zelensky e Condiciona Paz a Metas Estratégicas

    Líder russo, em São Petersburgo, descarta diálogo direto com a Ucrânia antes da consolidação de objetivos militares e políticos, enquanto a guerra entra no quarto ano.

    Putin reitera recusa a diálogo direto com Zelensky e condiciona paz a “objetivos estratégicos”

    No Fórum Econômico de São Petersburgo, líder russo descartou encontro imediato com o presidente ucraniano, que havia proposto negociação para o fim do conflito, agora no quinto ano.