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    Lula sanciona Orçamento de 2025 com superávit ‘inflado’, cortes no PAC e recorde de emendas

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    Houve, ainda, cortes de R$ 7,7 bilhões no Bolsa Família, R$ 3,5 bilhões no programa de escola em tempo integral e R$ 2,5 bilhões na Lei Aldir Blanc de fomento à cultura para incorporar propostas da equipe econômica

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta quinta-feira (10), o Orçamento de 2025. O projeto, aprovado pelos parlamentares com três meses de atraso, estima um superávit de R$ 14,5 bilhões nas contas públicas, corta despesas dos ministérios e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e tem valor recorde de emendas parlamentares.

    Os parlamentares cortaram R$ 7,8 bilhões em despesas de controle direto do governo Lula em relação à proposta enviada pelo governo ao Congresso, incluindo R$ 4,3 bilhões dos ministérios e R$ 3,5 bilhões do PAC, e usaram o espaço fiscal do pacote de corte de gastos aprovado no ano passado para aumentar o valor de emendas parlamentares. O desenho foi sancionado por Lula nesta quinta, com dois vetos (leia mais abaixo).

    As emendas vão somar R$ 50,4 bilhões em 2025, um valor recorde, após uma manobra do Congresso para contornar as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que bloquearam os recursos no ano passado por falta de transparência e desrespeito às regras fiscais. Os parlamentares indicarão quais municípios receberão esse valor e quais obras serão contempladas – o governo fica com o controle de quando e quanto pagar.

    Fora essa quantia, foram colocados mais R$ 9 bilhões em recursos de interesse dos congressistas no guarda-chuva dos ministérios – o que fez o valor total das emendas chegar a R$ 59,5 bilhões. A diferença é que, nessa parte, não fica o carimbo direto dos parlamentares e o dinheiro é legalmente controlado pelo governo, mas também poderá ser negociado para atender os políticos.

    Com o Orçamento aprovado, é possível visualizar os maiores efeitos do pacote fiscal. As despesas obrigatórias aumentaram em R$ 7,3 bilhões na comparação com o projeto enviado inicialmente pelo governo, sobretudo em despesas previdenciárias e outros benefícios reajustados pelo salário mínimo. O aumento seria ainda maior se não fosse a aprovação do pacote, que limitou o aumento real (acima da inflação) do salário mínimo a 2,5% ao ano – o mesmo teto de despesas do arcabouço fiscal.

    Além disso, houve cortes de R$ 7,7 bilhões no Bolsa Família, R$ 3,5 bilhões no programa de escola em tempo integral e R$ 2,5 bilhões na Lei Aldir Blanc de fomento à cultura para incorporar medidas propostas pela equipe econômica e aprovada pelos congressistas.

    Lula impôs dois vetos ao Orçamento de 2025. Um deles, no valor de R$ 40,2 milhões, recaiu sobre duas emendas que foram colocadas no Ministério dos Transportes para estradas em localidades específicas. Uma lei aprovada no ano passado para atender as decisões do STF proibiu que esse tipo de recurso fosse aprovado para cidades escolhidas pelos parlamentares, o que tiraria o controle formal do Poder do Executivo para escolher onde mandar o dinheiro.

    Outro veto tirou R$ 2,9 bilhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). O valor se refere a despesas financeiras, sem efeito no limite de gastos do arcabouço e no resultado primário (saldo entre receitas e despesas, sem contar os juros da dívida).

    O Congresso subestimou os efeitos da Desvinculação de Receitas da União (DRU), uma das medidas do pacote fiscal aprovado em 2024, e manteve valores do fundo que deveriam ser cancelados e que agora foram vetados pelo presidente Lula. Os R$ 2,9 bilhões em receitas do FNDCT foram desengessados para serem usados livremente no Orçamento, mas o Congresso acabou usando a parte que ficou livre para custear as mesmas despesas.

    *Com informações do Estadão Conteúdo
    Publicado por Carolina Ferreira

    Fonte: Jovem Pan News

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