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    Brasil e UE exaltam acordo UE-Mercosul como vitória do multilateralismo

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    Após 25 anos de negociações, o tratado que criará uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo será assinado no sábado (17) em Assunção, capital do Paraguai 

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudaram, nesta sexta-feira (16), a assinatura do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia como um pacto-chave para a prosperidade e o multilateralismo.

    Depois de mais de 20 anos de negociações, o tratado que vai criar uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo será assinado no sábado (17) em Assunção, capital do Paraguai.

    Os dois blocos representam juntos 30% do PIB mundial e um mercado de mais de 700 milhões de pessoas.

    Após uma reunião no Rio de Janeiro, Lula afirmou, em uma declaração conjunta à imprensa, que o pacto “é bom” para os dois blocos, mas é “muito bom, sobretudo, para o mundo democrático e para o multilateralismo”.

    Para Von der Leyen, o acordo “envia uma mensagem contundente: este é o poder da cooperação e da abertura”.

    “É assim que criamos verdadeira prosperidade”, acrescentou a alta funcionária europeia, que fez uma escala no Rio de Janeiro para se reunir com Lula antes de seguir viagem para Assunção.

    A conclusão do acordo ocorre em meio às incertezas mundiais devido às políticas protecionistas do presidente americano, Donald Trump, que ameaçou nesta sexta impôr tarifas aos países que não apoiarem seus planos de anexação da Groenlândia.

    Nesse contexto, Lula disse que a cooperação com a União Europeia vai “além da dimensão econômica”.

    Estarão presentes na assinatura do tratado em Assunção o presidente anfitrião, Santiago Peña, e seu par uruguaio, Yamandú Orsi. A presença do argentino Javier Milei também é esperad, embora ainda não tenha sido confirmada.

    Lula não participará do encontro. Segundo o governo, a assinatura estava planejada como um evento em nível ministerial, e Assunção convidou os presidentes de última hora.

    Von der Leyen defendeu que o acordo “vai multiplicar as oportunidades como nunca antes, com acesso mútuo a mercados estratégicos, regras claras e previsíveis, padrões comuns e cadeias de abastecimento que se tornarão autopistas para o investimento”.

    Para o Brasil, representa uma oportunidade para expandir suas exportações de carne, soja, arroz, café e outros produtos para a Europa, em troca da abertura de seu mercado para veículos, maquinário, queijos e vinhos europeus, entre outros.

    Setores europeus veem com temor a chegada de produtos do Mercosul, mais competitivos devido a normas de produção consideradas menos estritas. Agricultores e pecuaristas de alguns países europeus se mobilizaram em fortes protestos contra o pacto.

    Apesar dessa resistência, representada nos votos contrários de França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria, a União Europeia aprovou o acordo em 9 de janeiro.

    O Conselho Europeu, que reúne os governos dos Estados-membros, autorizou mediante votação que a Comissão Europeia avance com o tratado. A aprovação nessa instância era o último passo prévio à assinatura do acordo no Paraguai.

    Assim, os dois blocos enviam “uma mensagem muito forte numa altura em que o direito internacional está sob ameaça. Onde países como a China fazem concorrência desleal no comércio internacional. Onde países como Estados Unidos estão a subir as suas tarifas”, disse o presidente do Conselho, o português António Costa, em um coletiva de imprensa posterior no Rio.

    Von der Leyen, por sua vez, não poupou elogios a Lula, a quem chamou de “liderança que precisamos no mundo atual”.

    “O senhor é um líder profundamente comprometido com os valores que apreciamos: a democracia, a ordem internacional baseada em normas e no respeito. Respeito pelo nosso planeta, respeito pelas comunidades e respeito pelas nações irmãs”, declarou.

    Para além do acordo UE-Mercosul, Von der Leyen disse que Europa e Brasil estão avançando em um pacto “muito importante” sobre minerais críticos, com projetos de investimento conjunto em lítio, níquel e terras raras.

    “Isto é crucial para a nossa transição digital e limpa, assim como para a nossa independência estratégica em um mundo onde os minerais tendem a se tornar um instrumento de coerção”, afirmou.

    *Com AFP

     

     

    Fonte: Jovem Pan News

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