Salmões selvagens percorrem distâncias significativamente maiores sob o efeito da cocaína, que, como outras substâncias, atinge rios e lagos através do esgoto. Um estudo conjunto, publicado em 20 de abril de 2026, por cientistas da Universidade Griffith, na Austrália, e da Universidade Sueca de Ciências Agrícolas, revela que peixes expostos à droga podem nadar até 12,3 quilômetros além do normal.
A pesquisa analisou o impacto da cocaína no movimento de peixes selvagens em seus habitats naturais. Cientistas capturaram 100 salmões do Atlântico no lago Vättern, na Suécia, e administraram cocaína e benzoilecgonina, um metabólito da droga. Posteriormente, rastrearam os movimentos dos animais.
Os resultados indicam que os salmões sob o efeito da droga percorreram uma distância 1,9 vez maior em comparação com aqueles não expostos. A substância os levou a viajar até 12,3 quilômetros mais longe, conforme detalhado no estudo.
Preocupação Ambiental e Aumento do Uso de Cocaína
Marcus Michelangeli, do Instituto de Rios Australianos da Universidade Griffith, expressou preocupação com as descobertas. “Qualquer mudança antinatural no comportamento dos animais é motivo de preocupação”, declarou ele ao canal australiano ABC.
Michelangeli também alertou para a crescente contaminação dos ecossistemas aquáticos. “Estamos encontrando em nossos rios concentrações cada vez maiores não apenas de drogas ilícitas, mas de todo tipo de produtos farmacêuticos”, afirmou.
O uso global de cocaína tem crescido. A Organização das Nações Unidas (ONU) registrou que quase 25 milhões de pessoas utilizaram a droga em 2023. Essa substância é frequentemente detectada em cursos de água ao redor do mundo.
Cientistas alertam que a contaminação de águas por drogas comuns representa “um risco grande e crescente para a biodiversidade”.
Para o professor Michael Bertram, da Universidade Sueca de Ciências Agrícolas, o estudo sublinha a urgência de aprimorar o tratamento e o monitoramento do esgoto. “Nosso estudo indica que as drogas não são apenas uma questão social, mas também um desafio ambiental”, concluiu Bertram.


