A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) acionou o senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), em 23 de abril de 2026. Ela busca viabilizar o acesso a dados sigilosos da extinta CPI do Crime Organizado. O objetivo é subsidiar os trabalhos do Grupo de Trabalho do Banco Master, no contexto de uma investigação que culminou na prisão de um ex-executivo do BRB.
O requerimento da senadora foi aprovado pela CAE. Ele visa obter informações cruciais para a instrução técnica do Grupo de Trabalho sobre o Banco Master. “O referido requerimento foi aprovado com o objetivo de permitir o acesso a informações potencialmente relevantes para a instrução técnica do Grupo de Trabalho do Banco Master no âmbito da CAE”, afirma o documento enviado na quinta-feira, 23 de abril de 2026.
No ofício, Damares Alves pede que Calheiros libere os documentos da já encerrada CPI do Crime Organizado. Atualmente, a Mesa do Senado Federal custodia esses documentos, o que impede seu compartilhamento direto com o colegiado. O pedido da senadora surge após o Senado negar o acesso a esses mesmos documentos sigilosos, obtidos pela CPI e que envolvem o Banco Master. Após a decisão, Damares Alves anunciou que recorreria ao plenário para reverter a negativa, que contrariou o movimento da CAE, a qual havia aprovado o envio do material.
“Diante do exposto, solicito a Vossa Excelência que, em atenção ao requerimento aprovado por esta Comissão, avalie e autorize, observadas as cautelas legais cabíveis, o compartilhamento com o Grupo de Trabalho do Banco Master dos documentos e demais elementos do acervo da extinta CPI do Crime que guardem pertinência com os trabalhos em curso nesta Comissão”, detalha o ofício.
Investigação e Prisão de Paulo Henrique Costa
Em 16 de abril de 2026, a Polícia Federal (PF) prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, durante a 4ª fase da Operação Compliance Zero. A PF informou ao ministro Mendonça que identificou um suposto fluxo de propina destinado a Costa. Essa propina estaria ligada à negociação de venda do Banco Master ao BRB, viabilizada pela compra de imóveis. Com base nessas informações, o ministro Mendonça determinou a prisão preventiva de Costa.
O ex-presidente do BRB é investigado por sua atuação na tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. As apurações também incluem a compra de carteiras fraudulentas oferecidas pelo banco de Daniel Vorcaro. Paulo Henrique Costa assumiu a presidência do BRB em 2019, indicado pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Ele liderou a tentativa de aquisição do Banco Master pela instituição. O executivo foi afastado do cargo em novembro, após decisão judicial no âmbito da primeira fase da operação.
Nesta sexta-feira, 24 de abril de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter a prisão preventiva do ex-presidente do BRB.


