Os vereadores da Câmara Municipal de Terenos, Mato Grosso do Sul, solicitaram um prazo adicional de 60 dias para analisar a vasta documentação referente à investigação que culminou na prisão e afastamento do prefeito Henrique Budke (PSDB). A justificativa apresentada pelos parlamentares, nesta quarta-feira (24/04/2026), é a alegação de que não houve tempo suficiente para examinar o grande volume de provas, que está disponível para consulta desde o dia 4 de fevereiro deste ano.
O acesso aos documentos é feito em uma sala restrita na Câmara, onde apenas um vereador pode entrar por vez, acompanhado por um funcionário designado para a segurança do material. É estritamente proibido o uso de qualquer equipamento eletrônico, como celulares ou câmeras, que permita algum tipo de registro, medida que visa garantir a integridade e confidencialidade das informações.
O caso que levou à operação teve início em janeiro de 2026, quando o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) acatou um pedido do Ministério Público Estadual (MPE) e encaminhou à Câmara Municipal uma cópia da denúncia de um escândalo de corrupção envolvendo a Prefeitura de Terenos. O desembargador Jairo Roberto de Quadros autorizou expressamente que os vereadores tivessem acesso às provas produzidas na investigação.
Além do prefeito Henrique Budke, que foi preso e afastado do cargo, estando proibido de ter acesso à administração pública, de manter contato com co-denunciados e testemunhas, e é monitorado por tornozeleira eletrônica, outros 14 alvos da operação também estão sob vigilância eletrônica. Entre os nomes mencionados na investigação estão Arnaldo Santiago, Cleberson José Chavoni Silva, Eduardo Schoier e Fábio André Hoffmeister Ramires.
A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), denunciou a existência de uma organização criminosa com núcleos bem definidos, instalada na Prefeitura de Terenos. Liderada por um agente político, o esquema envolvia servidores públicos corrompidos para fraudar licitações públicas, direcionando certames para beneficiar empresas parceiras.
A nota do Gaeco aponta que a organização criminosa simulava competição legítima e elaborava editais “moldados”, resultando em contratos que, somente no último ano, superaram a marca de R$ 15 milhões. O esquema também previa o pagamento de propina a agentes públicos que atestavam falsamente o recebimento de produtos ou serviços, concretizando a fraude contra a Administração Pública.


