O deputado federal gravou vídeo ao lado de pré-candidata do partido de oposição e foi aclamado para o Senado, desafiando a cúpula liberal e o grupo de Renan Contar.
A disputa por uma cadeira no Senado em 2026 subiu de temperatura no ninho liberal de Mato Grosso do Sul. O deputado federal Marcos Pollon (PL) protagonizou um movimento interpretado como insubordinação ao aparecer em vídeo em Naviraí ao lado de Eunice Tikka, pré-candidata a deputada estadual pelo Partido Novo. No registro, Pollon é apresentado abertamente como pré-candidato ao Senado.
O Desafio às Alianças
A movimentação de Pollon é estratégica e arriscada por três motivos centrais:
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Oposição ao Governo: O Novo no MS é liderado pelo deputado João Henrique Catan, opositor ferrenho do governador Eduardo Riedel (PSDB), de quem o PL é aliado.
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Flerte com a “Direita Raiz”: Pollon chegou a negociar sua filiação ao Novo após convites de lideranças nacionais, mas recuou após Jair Bolsonaro prometer, via vídeo, que ele seria o candidato ao Senado pelo PL.
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Pressão na Cúpula: Ao mostrar proximidade com o Novo, Pollon sinaliza que tem “portas abertas” fora do PL caso seu projeto seja rifado internamente.
A “Guerra de Foice” contra Renan Contar
O episódio ocorre em meio a um embate direto e desgastante com o ex-deputado Capitão Renan Contar pela mesma vaga senatorial:
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Fundo Partidário: Recentemente, foi revelado que a campanha de Contar possui um contrato de R$ 150 mil mensais pago com verba do PL à agência de publicidade de sua esposa, Iara Diniz.
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Polêmica do Bilhete: Pollon tenta superar o desgaste do vazamento de um suposto bilhete envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, que mencionava um pedido de R$ 15 milhões para que o deputado desistisse da disputa.
O Fator Reinaldo Azambuja
Para complicar o cenário de Pollon, ele terá que enfrentar o peso da máquina estadual. O ex-governador Reinaldo Azambuja (agora presidente do PL MS) é o padrinho político de Riedel e o principal nome cotado para a vaga ao Senado pelo grupo governista.
A atitude de Pollon ao apoiar nomes do Novo — partido que combate Riedel e Azambuja — coloca o deputado em rota de colisão direta com a presidência de seu próprio partido no estado.


