Em 27 de abril de 2026, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, desembarcou em São Petersburgo para um encontro estratégico com o presidente russo, Vladimir Putin. A reunião ocorre quase três semanas após o cessar-fogo que encerrou 40 dias de intensos combates entre Irã e Israel, aliado dos Estados Unidos, e tem como pano de fundo o recente fracasso de uma rodada de diálogo com Washington, pela qual Teerã responsabiliza a diplomacia americana, mantendo a tensão elevada, especialmente no vital Estreito de Ormuz.
Araghchi afirmou que a abordagem dos Estados Unidos, com “exigências excessivas”, impediu que as negociações no Paquistão avançassem, apesar de progressos iniciais. Em resposta, o presidente americano, Donald Trump, descartou no sábado o envio de seus emissários, Steve Witkoff e Jared Kushner, a Islamabad, declarando que “isso terminará em breve e sairemos muito vitoriosos”. Paralelamente, o Irã reforçou suas “linhas vermelhas” em mensagens enviadas aos americanos via Paquistão, incluindo a questão nuclear e, centralmente, o controle sobre o Estreito de Ormuz.
O Irã mantém o Estreito de Ormuz fechado, uma medida que promete sustentar enquanto persistir o bloqueio americano aos portos do país, classificando a passagem segura pelo estreito como uma “questão global importante”. No domingo, o portal Axios noticiou uma nova proposta iraniana para a reabertura de Ormuz e o fim da guerra, que adiaria as negociações sobre o programa nuclear. A agência estatal iraniana IRNA mencionou o relato, sem negar seu conteúdo. Embora a trégua esteja sendo respeitada, seu impacto na economia global, especialmente no fluxo de petróleo, continua a ser uma preocupação central.
Antes de seguir para a Rússia, onde Moscou se consolida como uma das principais bases de apoio da República Islâmica, Araghchi realizou uma intensa agenda diplomática. Ele visitou Omã e Islamabad, no Paquistão, onde se reuniu com o comandante das Forças Armadas, Asim Munir, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o chanceler Ishaq Dar, além de conversar por telefone com seu homólogo turco, Hakan Fidan. Em suas redes sociais, o chanceler iraniano destacou que as conversas em Omã focaram em garantir a passagem segura por Ormuz “para o benefício de todos os queridos vizinhos e do mundo”, sublinhando a estratégia iraniana de engajamento regional.


