Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira (28) sua saída da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da aliança Opep+, liderada pela Arábia Saudita e que inclui a Rússia. A decisão, que entra em vigor em 1º de maio, marca um ponto de inflexão na política energética do país, que busca maior autonomia para focar em seus “interesses nacionais” e acelerar investimentos na produção doméstica.
A agência estatal de notícias emiradense Wam explicou que a medida reflete uma “visão estratégica e econômica de longo prazo” e a “evolução de seu perfil energético”. Fontes oficiais citadas pela Wam destacaram que, embora os Emirados, membros desde 1967, tenham feito “contribuições importantes e consentido em sacrifícios ainda maiores no interesse de todos”, agora é o momento de “concentrar esforços no que manda o interesse nacional”.
A saída ocorre em um cenário de crescentes tensões geopolíticas na região. Os Emirados Árabes Unidos têm sido alvo de ataques do Irã em retaliação à ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, iniciada em 28 de fevereiro. Este conflito levou ao quase fechamento do estratégico Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, e consequente disparada dos preços da commodity. Uma fonte próxima ao Ministério de Energia explicou à AFP que, “levando em conta a situação atual no Estreito, os Emirados Árabes Unidos não desejam ser submetidos a cotas quando a situação voltar à normalidade”.
O anúncio de Abu Dhabi, apesar de ter causado surpresa, segue um histórico de divergências do país dentro do grupo, especialmente sua intenção de produzir mais petróleo, mesmo tendo recebido tratamento preferencial para aumentar suas cotas. A Opep, fundada em 1960 e atualmente com 12 membros, e a Opep+, criada em 2016 para limitar a oferta e sustentar preços frente à concorrência dos EUA, já viram outras saídas recentes, como as do Catar (2019), Equador e Angola, mas a partida dos Emirados representa um peso maior para a coesão do cartel.


