A Câmara Municipal de Campo Grande suspendeu sua sessão nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, após um início tumultuado. Protestos na plateia e intensas discussões entre vereadores sobre projetos de lei recentemente aprovados e sancionados causaram a paralisação.
Dois projetos de lei motivaram a controvérsia. Um deles proíbe mulheres trans de utilizarem banheiros femininos na capital. O outro estabelece o “Abril Verde e Amarelo”, em contraposição ao “Abril Vermelho” do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
A prefeita Adriane Lopes sancionou o projeto de lei que restringe o uso de banheiros femininos por mulheres trans. Os vereadores André Salineiro e Rafael Tavares propuseram a medida. A justificativa do projeto visa “resguardar a intimidade e combater todo tipo de importunação ou de constrangimento”.
Desde o início, a sessão registrou vaias da plateia, independentemente do assunto em pauta. O vereador Maicon Nogueira (PP) enfrentou o barulho ao defender uma CPI da Saúde e se posicionar contra a terceirização de unidades de saúde. O presidente da Câmara, Papy, reagiu aos manifestantes. “Estão gritando pra ele por quê? Qual a lógica?… A manifestação não incomoda e não ofende, porque todo mundo está acostumado”, declarou Papy. Ele questionou os vereadores sobre a suspensão da sessão, mas eles optaram pela continuidade dos trabalhos.
O vereador Wilson Lands (Avante) acirrou o debate ao ignorar as manifestações e parabenizar a prefeita Adriane Lopes. Ele classificou a sanção do projeto sobre banheiros como uma “valorização das mulheres”. Vaias intensas o acompanharam, e Lands criticou a falta de tolerância dos manifestantes ao contraditório. “Entre defender uma ideologia, eu fico com as mulheres e não com os inimigos das mulheres nesta casa”, concluiu o vereador sob mais vaias.
A vereadora Luiza Ribeiro (PT) rebateu a fala de Lands. “Você ataca as mulheres. Inimigo é o senhor. O senhor é inimigo das mulheres e sua prefeita é inimiga das mulheres. Eu não tenho medo do senhor. Eu não tenho medo do senhor. Eu não tenho medo do senhor.. As pessoas que estão aqui não têm medo do senhor. Foi eleito pelo povo em não respeita o povo. O senhor despreza o povo”, afirmou Ribeiro. O vereador André Salineiro (PL) também sofreu vaias e defendeu a criação de banheiros neutros para trans e não binários.
A confusão levou o presidente Papy a suspender a sessão por cinco minutos. Após o recesso, os trabalhos recomeçaram sob protestos. Os vereadores do PT prometeram realizar uma audiência pública e entrar com medida judicial contra o projeto. O bate-boca persistiu, e Papy expressou irritação pela falta de respeito dos manifestantes, mesmo durante um pedido de silêncio para uma moção de pesar. O presidente da Casa reforçou que apenas quem possuía mandato teria a palavra, mas as vaias continuaram.


