As autoridades mexicanas assestaram um duro golpe no Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) nesta segunda-feira, 27 de abril, ao capturar Audias Flores Silva, conhecido como “El Jardinero”. Considerado um dos homens de maior confiança e potencial sucessor de Nemesio “El Mencho” Oseguera, fundador do cartel, a prisão de Flores Silva no estado de Nayarit, na fronteira com Jalisco, levou as autoridades locais a emitirem um alerta à população para que permanecesse em casa, diante do risco de bloqueios e atos violentos. Os Estados Unidos ofereciam uma recompensa de 5 milhões de dólares (cerca de R$ 24,8 milhões) por informações que levassem à sua captura.
A operação, que contou com a participação de centenas de militares, culminou na detenção de “El Jardinero” enquanto ele tentava fugir por um sistema de drenagem. Segundo o centro de análise Insight Crime, Flores Silva despontava como um dos nomes fortes para assumir a liderança do CJNG após a morte de “El Mencho”. Especialistas em segurança, como David Saucedo, confirmam que ele atuava como “braço direito” de Oseguera até o falecimento do líder, ocorrido em fevereiro deste ano.
Além de sua proximidade com “El Mencho”, Flores Silva era peça central nas estratégias do CJNG. Ele foi encarregado de negociar, em nome de Oseguera, uma aliança crucial entre o CJNG e “Los Chapitos”, a facção do Cartel de Sinaloa liderada pelos herdeiros de Joaquín “El Chapo” Guzmán. Essa informação, divulgada por Saucedo, baseia-se em fontes de inteligência dos Estados Unidos e do México, sublinhando a importância estratégica do detido na cúpula do narcotráfico.
Com um histórico criminal que inclui cinco anos de prisão nos Estados Unidos, de onde foi libertado em 2016, Flores Silva era, segundo autoridades mexicanas, responsável pelo controle de diversos laboratórios de metanfetaminas em Jalisco e no vizinho estado de Zacatecas, ampliando a influência e as fontes de receita do cartel na região.
A captura de “El Jardinero” ocorre poucos meses após a morte de Nemesio “El Mencho” Oseguera, aos 59 anos, em fevereiro de 2026. O falecimento do fundador do CJNG, ocorrido após ferimentos em uma operação militar em Jalisco, desencadeou uma onda de violência sem precedentes, com bloqueios de vias e queima de veículos em 20 dos 32 estados mexicanos. “El Mencho” transformou o CJNG no cartel mais poderoso do México através da violência e do desafio direto ao governo, sendo considerado o último dos grandes narcotraficantes do país após a prisão de “El Chapo” Guzmán e Ismael “Mayo” Zambada. Washington havia oferecido US$ 15 milhões por sua captura.


