A juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias da Comarca de Campo Grande, concedeu liberdade provisória na semana passada a cinco indivíduos presos durante a Operação Oncojuris. A magistrada atendeu a um pedido da defesa, que argumentou a ausência de outras condenações e de interferência nas investigações.
A decisão judicial estabeleceu restrições aos investigados. Entre as medidas impostas, a proibição de contato entre os envolvidos na operação se destaca. Os responsáveis pela investigação solicitaram a manutenção da prisão, mas o pedido não foi acatado pela Justiça.
Operação Oncojuris Investiga Desvios Milionários
A Operação Oncojuris investiga um esquema de desvios milionários na área da Saúde em Mato Grosso do Sul. Cinco pessoas foram detidas, incluindo ex-servidores do Governo do Estado e proprietários de farmácias. Os nomes dos presos são Guilherme de Oliveira Neto e Altair Malhada, ambos ex-servidores da Secretaria de Saúde; o advogado Victor Guilherme Lezo Rodrigo; e os empresários Reginaldo Pereira Santos e Luiz Henrique Marino, proprietários de farmácias.
As apurações iniciaram em setembro de 2025. O Núcleo de Atenção à Saúde (NAS) apresentou uma notícia de fato que detalhava a existência de um esquema sofisticado e estruturado. Este esquema, com divisão de tarefas e atuação coordenada, visava a obtenção indevida de recursos públicos.
Os desvios ocorriam por meio de decisões judiciais que determinavam o fornecimento de medicamentos de alto custo, com foco em fármacos oncológicos. Investigações semelhantes sobre desvios de recursos públicos têm sido reportadas em outras esferas.
As investigações indicam que, após a liberação de valores por ordem judicial, uma parcela expressiva dos recursos era retida pelas empresas envolvidas. A justificativa para essa retenção eram “serviços de assessoria”, enquanto apenas uma fração reduzida do montante era efetivamente utilizada na aquisição dos medicamentos. O controle de gastos públicos e repasses é um tema constante de fiscalização.
A polícia também aponta indícios preocupantes. Fármacos sem registro na autoridade sanitária nacional foram supostamente fornecidos. Além disso, foram encontradas inconsistências documentais, ausência de rastreabilidade e falhas no controle de transporte e armazenamento. Tais circunstâncias, segundo a polícia, podem representar um risco concreto à saúde dos pacientes.


