As autoridades israelenses confirmaram, nesta sexta-feira (1º), que o ativista brasileiro Thiago Ávila e o palestino-espanhol Saif Abu Keshek, detidos na quinta-feira (30) com cerca de 175 outros ativistas a bordo de uma flotilha humanitária com destino a Gaza, serão interrogados em Israel.
A maior parte dos participantes da flotilha, que inicialmente contava com mais de cinquenta embarcações, desembarcou nesta sexta-feira na ilha grega de Creta. A intercepção ocorreu na costa cretense na quinta-feira, pelas forças israelenses. Um jornalista da AFP constatou que os ativistas, predominantemente de nacionalidade europeia, embarcaram em quatro ônibus no porto de Atherinolakkos, no sudeste da ilha. Escoltados pela guarda-costeira grega, o grupo seguiria para Heraklion, a capital da ilha, conforme informações da imprensa local. As embarcações da flotilha que não foram interceptadas continuaram o trajeto em direção à cidade cretense de Ierápetra.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel informou que nem o ativista brasileiro Thiago Ávila, membro do comitê organizador da Flotilha Global Sumud, nem o palestino-espanhol Saif Abu Keshek estão entre os que desembarcaram em Creta. Em uma publicação na rede social X, o ministério declarou que Thiago Ávila é “suspeito de atividade ilegal”, sem fornecer detalhes adicionais. Saif Abu Keshek é “suspeito de filiação a uma organização terrorista”. Ambos “serão levados a Israel para serem interrogados”, acrescentou a pasta.
O porta-voz da Chancelaria israelense, Oren Marmorstein, afirmou que “todos os ativistas da flotilha já estão na Grécia, exceto Saif Abu Keshek e Thiago Ávila”, sem detalhar o paradeiro dos dois. Lara Souza, esposa de Ávila, informou à AFP que não consegue se comunicar com o marido desde quarta-feira à tarde. “O governo brasileiro está tentando intervir, mas não está conseguindo resposta também. Não sabemos se o navio israelense ainda está em águas gregas ou já em águas internacionais”, declarou Souza.
Thiago Ávila já havia participado da flotilha humanitária “Nuestra América”, que chegou a Havana no final de março em solidariedade ao governo cubano, sob pressão do bloqueio energético imposto pelo governo do presidente americano Donald Trump. Ávila também esteve presente em outra flotilha com destino a Gaza no ano anterior, que também foi interceptada por Israel, acompanhado pela ativista sueca Greta Thunberg e pela ex-prefeita de Barcelona, Ada Colau. O governo espanhol exigiu, nesta sexta-feira, a “imediata libertação” de Abu Keshek e comprometeu-se a oferecer-lhe “toda a proteção”.
Na quinta-feira, Israel comunicou a interceptação de 175 ativistas (211 segundo os organizadores da flotilha) a bordo de cerca de vinte embarcações na costa de Creta, no Mediterrâneo oriental. Inicialmente, as autoridades israelenses indicaram que os ativistas seriam levados para Israel. Contudo, ainda na quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, esclareceu que foi acordado com o governo de Atenas que os ativistas desembarcariam na costa grega. A flotilha era composta por mais de 50 barcos que partiram nas últimas semanas de Marselha (França), Barcelona (Espanha) e Siracusa (Itália). A AFP verificou, com base em dados dos organizadores, que as embarcações foram interceptadas na Zona Econômica Exclusiva (ZEE) da Grécia.


