Três pacientes com suspeita de hantavírus foram retirados do cruzeiro MV Hondius em Cabo Verde e estão a caminho dos Países Baixos para receber atendimento médico. A Organização Mundial da Saúde (OMS) coordenou a operação, conforme anunciado pelo diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus. A evacuação permitirá que o navio prossiga para as Ilhas Canárias.
“Três pacientes com suspeita de infecção por hantavírus acabam de ser retirados do navio e estão a caminho para receber atendimento médico nos Países Baixos, em coordenação com a OMS, o operador do navio e as autoridades nacionais de Cabo Verde, do Reino Unido, da Espanha e dos Países Baixos”, declarou Ghebreyesus pela rede social X.
O navio está sob alerta sanitário internacional desde o último sábado (2), após a suspeita de que o hantavírus, uma doença transmitida por roedores infectados, estaria ligada à morte de três passageiros. O MV Hondius, de bandeira holandesa, partiu de Ushuaia, Argentina, em 1º de abril, com destino a Cabo Verde. Atualmente, a embarcação conta com 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades.
O Ministério da Saúde do Brasil define a hantavirose como uma zoonose viral aguda, que no país se manifesta predominantemente como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH). Esta forma grave da doença afeta os sistemas respiratório e cardiovascular. O vírus, pertencente à família Hantaviridae, tem como reservatórios naturais roedores silvestres, que excretam o agente infeccioso sem apresentar sintomas.
A transmissão para humanos ocorre majoritariamente pela inalação de aerossóis contaminados a partir das excreções desses animais. O contato direto com mucosas (olhos, boca, nariz), ferimentos na pele ou mordidas de roedores também são vias de contágio. Embora rara, a transmissão interpessoal já foi documentada em países como Argentina e Chile, associada a cepas específicas do vírus.
A situação sanitária no cruzeiro e a coordenação internacional para o manejo dos casos de hantavírus destacam a importância da vigilância epidemiológica global. A OMS tem atuado ativamente na coordenação de respostas a eventos de saúde pública, como demonstram outros casos recentes de casos de Hantavírus em cruzeiros.


