A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou todos os indivíduos a bordo do cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus, como contatos de “alto risco”. A recomendação é de monitoramento ativo por um período de 42 dias após o desembarque.
“Classificamos todas as pessoas a bordo como o que chamamos de contatos de alto risco”, declarou Maria Van Kerkhove, diretora de preparação e prevenção de epidemias e pandemias da OMS, em evento online. Ela acrescentou: “um acompanhamento e monitoramento ativo de todos os passageiros e tripulantes que desembarcarem durante um período de 42 dias.”
A OMS ressaltou que o risco para a população geral e para os residentes das Ilhas Canárias, destino previsto para o MV Hondius no domingo, permanece “baixo”.
A hantavirose é uma zoonose viral aguda. No Brasil, a forma mais comum é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), que afeta gravemente os sistemas respiratório e cardiovascular. O vírus, da família Hantaviridae, tem roedores silvestres como reservatórios naturais. Estes animais eliminam o agente infeccioso através de urina, fezes e saliva, sem manifestar sintomas.
A transmissão para humanos ocorre predominantemente pela inalação de aerossóis contaminados presentes nas excretas dos roedores. O contágio também pode se dar por contato direto com mucosas (olhos, boca, nariz), ferimentos na pele ou mordidas de roedores. Embora rara, a transmissão interpessoal foi documentada em países como Argentina e Chile, associada a uma cepa específica do vírus.
A situação reforça a importância da vigilância epidemiológica em viagens marítimas, como as que envolvem áreas de risco para hantavírus. Para mais informações sobre saúde em viagens, confira o artigo sobre Hantavírus em Cruzeiro: Autoridades da Terra do Fogo Afastam Infecção em Ushuaia.


