O presidente russo, Vladimir Putin, declarou neste sábado (9 de maio de 2026) que as forças de seu país enfrentam na Ucrânia uma “força agressiva” apoiada pela Otan. A declaração ocorreu durante seu discurso comemorativo do Dia da Vitória contra o nazismo, celebrado este ano em formato reduzido e sob uma breve trégua com Kiev mediada pelos Estados Unidos.
Segurança e Participação Restrita Marcam Celebração
O evento na Praça Vermelha de Moscou teve duração de 45 minutos, incluindo o discurso presidencial, e não exibiu armamentos. Em contraste com a pompa do ano anterior, que contou com a presença de cerca de vinte líderes internacionais, desta vez apenas alguns dirigentes de nações aliadas, como Belarus, Cazaquistão, Malásia e Eslováquia, compareceram.
A celebração foi viabilizada pela entrada em vigor de uma trégua de três dias entre Rússia e Ucrânia, anunciada na véspera pelo presidente americano Donald Trump. O evento esteve sob ameaça de possíveis ataques de drones ucranianos até o último momento.
Declarações de Putin e Contexto do Conflito
“O grande sucesso da geração vitoriosa inspira hoje os soldados que realizam a operação militar especial [na Ucrânia]. Eles enfrentam uma força agressiva, armada e apoiada por todo o bloco da Otan”, afirmou Putin. Ele acrescentou: “Estou firmemente convencido de que nossa causa é justa. Estamos juntos. A vitória foi nossa, e será para sempre”.
Após mais de quatro anos de conflito, a Rússia controla aproximadamente 20% do território ucraniano, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014. Soldados da Coreia do Norte, que em 2025 auxiliaram Moscou na expulsão de tropas ucranianas da região russa de Kursk, participaram das comemorações, conforme transmissão da televisão russa.
Medidas de Segurança e Opinião Pública
O desfile iniciou às 10h00 locais (04h00 de Brasília) e concluiu às 10h45, com rigorosas medidas de segurança. A internet móvel foi cortada no centro de Moscou, e diversas ruas da capital apresentaram baixa movimentação, segundo relatos de jornalistas da AFP. As comemorações na Praça Vermelha são um evento crucial para Putin exaltar a memória do triunfo soviético em 1945 e buscar unidade popular em apoio à campanha militar na Ucrânia.
No entanto, os atos deste ano foram afetados por incessantes ataques de drones de Kiev. Moradores de Moscou expressam pouca esperança de um retorno rápido à paz. “O fim do conflito não será em breve, por mais que todos queiramos a paz”, disse à AFP Elena, economista de 36 anos, que manifestou irritação com o corte de internet. Daniil, 26 anos, descreveu o dia 9 de maio como “um dia como qualquer outro” e respondeu com um seco “não” ao ser questionado se a trégua seria um prelúdio para a paz.
A trégua de três dias, anunciada por Trump, segue duas tentativas anteriores de cessar-fogo, uma ucraniana e outra russa, que não foram respeitadas nesta semana. O presidente americano expressou em sua plataforma Truth Social: “Esperemos que seja o começo do fim de uma guerra muito longa, mortal e difícil”, indicando que o cessar-fogo seria acompanhado por uma “troca?”.
A situação geopolítica complexa, com Trump anunciando um cessar-fogo de três dias entre Rússia e Ucrânia, reflete as tensões globais. Em outro front, o ataque dos EUA a navios iranianos no Estreito de Ormuz, apesar de um cessar-fogo, demonstra a instabilidade em diversas regiões. A possível interferência nas eleições de 2026 também adiciona um elemento de incerteza política.


