O ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), autorizou o retorno de Henrique Budke (PSDB) à Prefeitura de Terenos. Budke estava afastado de suas funções há oito meses, após ser preso na Operação Spotless, deflagrada em setembro de 2025 pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
A decisão do ministro considerou excessivo o período de afastamento. No entanto, Dantas impôs condições rigorosas para o retorno do prefeito. Ele deverá manter a tornozeleira eletrônica, está proibido de contatar outros investigados e não pode liderar contratos ou licitações com empresas que foram alvo da operação. A reportagem procurou a prefeitura para confirmar a data exata do retorno, mas não obteve informações até a publicação. O vice-prefeito, Dr. Arlindo, que assumiu o comando após o afastamento de Budke, soube da decisão por meio da imprensa.
O Caso da Operação Spotless
O Gaeco cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 59 mandados de busca e apreensão na Operação Spotless. Henrique Budke, então prefeito do município, estava entre os presos. A atuação de órgãos como o STJ em casos de corrupção política tem sido um foco constante no cenário nacional.
Segundo o Gaeco, a investigação revelou a existência de uma organização criminosa no município de Terenos/MS. Este grupo atuava em crimes contra a Administração Pública, com núcleos de atuação definidos e liderança de um agente político, apontado como principal articulador do esquema. Investigações sobre contratações irregulares em prefeituras são comuns no estado.
O Gaeco afirmou em nota: “A organização criminosa se valia de servidores públicos corrompidos para fraudar o caráter competitivo de licitações públicas, direcionando os respectivos certames para beneficiar empresas participantes do esquema delituoso, mediante a elaboração de editais moldados e por meio de simulação de competição legítima, em contratos que, somente nos doze meses anteriores à deflagração da operação, ultrapassaram a casa dos R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais)”.
As investigações também apontaram que o esquema envolvia o pagamento de propina a agentes públicos. Estes atestavam falsamente o recebimento de produtos e serviços, além de acelerar os trâmites administrativos para pagamentos de notas fiscais de contratos entre empresários e o poder público. Casos de corrupção envolvendo agentes públicos têm sido frequentemente julgados em Mato Grosso do Sul.
A polícia obteve provas de telefones celulares apreendidos na Operação Velatus. Compartilhadas mediante autorização judicial, essas provas revelaram o modus operandi da organização criminosa e auxiliaram na identificação do líder do esquema. O nome “Spotless” para a operação faz referência à necessidade de processos de contratação na Administração Pública serem realizados sem máculas.


