Um desentendimento público entre Michele Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, revelado pela ex-primeira-dama em suas redes sociais ontem, 24 de junho de 2026, pode adiar o anúncio dos candidatos do Partido Liberal (PL) para as eleições de 2026 em todo o Brasil. A discórdia interna coloca em xeque o cronograma de definições da sigla.
Em Mato Grosso do Sul, a situação é particularmente sensível. Marcos Pollon e Capitão Contar disputam a segunda vaga do partido para as eleições de 2026, já que Reinaldo Azambuja (PL) tem sua candidatura garantida. Pesquisas encomendadas pelo PL indicaram preferência por Contar. No entanto, Pollon espera que Jair Bolsonaro cumpra uma promessa feita em fevereiro deste ano, por meio de uma carta enviada da prisão, que o indicaria como o escolhido.
A reportagem divulgou nesta semana que o anúncio das candidaturas não ocorreria individualmente. O PL planejava uma lista única com os nomes de todo o Brasil. Contar parecia ter sua vaga praticamente assegurada, mas o atrito familiar, exposto por Michele, pode prolongar a decisão e alterar o cenário político no estado. O PL-MS aguarda a decisão de Bolsonaro para suas candidaturas em 2026, e o conflito atual adiciona uma camada de incerteza.
Michele Bolsonaro não esconde sua preferência por Marcos Pollon. Ela foi a responsável por divulgar a carta de Jair Bolsonaro enviada da prisão e frequentemente comenta as postagens de Pollon nas redes sociais, afirmando que ele é o candidato escolhido. Conflitos internos por vagas federais são comuns e este episódio ilustra a dinâmica complexa.
Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, já alertou lideranças estaduais sobre a necessidade de não desagradar Michele. Neste contexto, a discussão com Flávio Bolsonaro tem o potencial de fazer as negociações voltarem à estaca zero.
Atrasos e Reclamação Pública
A expectativa inicial era que o anúncio para Mato Grosso do Sul acontecesse no início de junho de 2026. Segundo Reinaldo Azambuja, o atraso se deu pela demora na entrega das pesquisas encomendadas. A justificativa atual é a divulgação simultânea com os demais candidatos do país. Um anúncio aguardado para esta semana não ocorreu e pode atrasar ainda mais devido à tensão entre Michele e Flávio.
Na tarde de ontem, 24 de junho de 2026, Michele Bolsonaro publicou um vídeo acusando o enteado de humilhação. Ela afirmou que Flávio se opôs a uma aproximação com Ciro Gomes no Ceará e a desqualificou, dizendo que ela “havia chegado agora e não entendia de política”.
“Algumas horas depois da postagem [de perdão], ele retornou a ligação. Mas sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone, e eu não tinha feito nada contra ele… Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço”, declarou Michele em parte dos dois vídeos divulgados na rede social.
Pouco depois, Flávio Bolsonaro divulgou uma carta em resposta. Ele negou qualquer desrespeito ou humilhação a Michele, afirmando que nunca faria isso com a esposa de seu pai.
“Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas. Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil”, diz um trecho da nota de Flávio Bolsonaro.


