A corrida por uma das oito cadeiras de deputado federal em Mato Grosso do Sul, nas eleições de outubro de 2026, intensifica as tensões entre o PSDB e o PT. Maurício Bumlai retirou sua pré-candidatura à suplência de Vander Loubet (PT) para o Senado. A decisão revela uma acirrada disputa por vagas na Câmara, impactando as estratégias de ambas as siglas.
Disputa Interna e Externa na Federação
Vander Loubet, após seis mandatos consecutivos, não concorrerá em 2026. Sua saída cria um desafio para o PT em garantir representação na Câmara. A Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB e PV) enfrenta uma disputa interna, onde Camila Jara (PT) compete diretamente com Marquinhos Trad (PV).
A tensão se estende além da federação. A relação de Maurício Bumlai com Viviane Luiza, pré-candidata a deputada federal pelo PSDB, ilustra o conflito. PSDB e PT disputam diretamente as últimas vagas, conforme cálculos de dirigentes partidários. Maurício Bumlai agora dedicará seus esforços à campanha de Viviane Luiza, que também conta com o apoio do governador Eduardo Riedel (PP).
Mudança na Legislação e Impacto nas Alianças
O PSDB fortaleceu sua posição na disputa após a mudança na legislação eleitoral. A nova regra não exige mais 80% do quociente eleitoral para a eleição na “sobra das sobras”. Sem esta exigência, o partido busca conquistar a vaga que o PT obteve na eleição anterior. Viviane Luiza, com forte atuação em causas indígenas, quilombolas e de assentados, ocupa um espaço tradicionalmente explorado pelo PT, onde a deputada federal Camila Jara é a principal interessada.
A reportagem apurou que Maurício Bumlai já havia pedido a Vander Loubet que contivesse Zeca do PT. Zeca frequentemente mencionava Viviane em conflitos envolvendo lideranças indígenas. Um desses episódios ocorreu na ocupação de uma propriedade rural em Sidrolândia, onde Zeca alegou que um indígena de direita liderou a operação para atingir Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Zeca não cessou as menções, levando Bumlai a se afastar da chapa.
Implicações para Outras Chapas
A disputa entre PSDB e PT afeta diretamente outras alianças. Antes da tensão com o PT, o PSDB já enfrentava desafios com partidos aliados na busca por uma vaga na Câmara. A possibilidade de PT e PSDB elegerem três deputados federais (duas para o PT e uma para o PSDB) dificulta os planos do PL e da federação União/PP, que visam eleger três deputados cada. Se essa projeção se concretizar, nomes como Mara Caseiro, Rodolfo Nogueira, Edson Giroto, Capitão Contar ou Marcos Pollon, do PL, podem ficar de fora. Do União/PP, Rose Modesto, Geraldo Resende e Luiz Ovando também seriam impactados. O PL-MS aguarda decisões sobre suas candidaturas para o Senado em 2026, o que também pode influenciar a dinâmica das vagas para a Câmara.


