O Senado Federal protagonizou um evento inédito na política brasileira ao rejeitar, na noite de quarta-feira (29), a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Com 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção, a decisão marcou a primeira vez desde 1894 que um nome proposto para a mais alta corte do país não obtém a aprovação dos senadores, configurando um duro golpe para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e para a expectativa de preencher a cadeira deixada pelo ex-ministro Luís Roberto Barroso.
Nesta quinta-feira (30), o senador Sergio Moro (PL-PR) celebrou a rejeição em entrevista ao Morning Show da Jovem Pan News, defendendo que a próxima indicação para o STF seja feita pelo presidente eleito em 2027. Moro criticou a proximidade de Messias com o governo Lula e o Partido dos Trabalhadores, afirmando que o AGU colocou o órgão “a serviço de interesses políticos do PT e do presidente Lula”. O parlamentar reforçou a necessidade de um STF independente do Executivo, declarando que a rejeição foi uma “vitória da sociedade representada pelo Senado” e que “chega de ‘STF do Lula'”. Messias, que ganhou notoriedade em 2016 pela menção como “Bessias” em uma ligação gravada de Dilma Rousseff com Lula, teve sua trajetória política questionada pela oposição.
Moro ainda expressou ceticismo quanto a uma nova indicação presidencial ainda neste ano, indicando que se posicionaria contra, a menos que o nome fosse “amplamente consagrado” e atendesse aos interesses do país. Paralelamente, o Congresso Nacional discute, também nesta quinta-feira, o veto de Lula ao PL da Dosimetria, projeto que busca atenuar penas para condenados por tentativa de golpe de Estado e envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023, tema no qual o senador defende a derrubada do veto presidencial.


