O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) enfrenta desafios significativos na formação de sua chapa para a Câmara Federal nas eleições de 2026. A sigla, que sofreu com a saída de lideranças importantes nos últimos meses, como Eduardo Riedel (PP), Reinaldo Azambuja (PL) e o trio de deputados federais Beto Pereira, Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende, busca agora eleger ao menos um representante na esfera federal para fortalecer sua posição nacional. No entanto, o partido já lida com a resistência de tucanos que deixaram a legenda e com a articulação de partidos aliados que veem a chapa tucana como uma ameaça direta às suas próprias chances eleitorais.
Apesar das perdas, o PSDB conseguiu montar uma chapa considerada mais equilibrada, o que reacende o ânimo dos pré-candidatos. Contudo, essa nova configuração tem gerado apreensão em legendas como PP/União, PL e Republicanos. A eleição de um deputado federal pelo PSDB poderia comprometer os planos de outras chapas, impactando diretamente a disputa por vagas, especialmente nas sobras eleitorais.
Articulação contra o PSDB
Lideranças de partidos como PP/União, PL e Republicanos já identificaram a chapa do PSDB como um obstáculo. A reportagem apurou que pré-candidatos tucanos estão sendo procurados por representantes dessas legendas ameaçadas, com o objetivo de convencê-los a desistir de suas candidaturas. Essa pressão já resultou na desistência de dois dos nove pré-candidatos do PSDB.
Impacto da Mudança na Lei Eleitoral
A recente alteração na lei eleitoral, que flexibilizou a exigência do quociente eleitoral para garantir uma vaga, beneficia o PSDB e outros partidos menores. Anteriormente, era necessário atingir 80% do quociente (votos válidos divididos pelo número de vagas) para assegurar a eleição. Agora, com a nova regra, um partido pode conquistar uma cadeira na sobra eleitoral com um número significativamente menor de votos. Por exemplo, um candidato pode garantir uma vaga com apenas 36 mil votos, em vez dos 180 mil anteriormente necessários.
Essa facilidade elevou o nível de alerta nos demais partidos. No Republicanos, por exemplo, Beto Pereira tem como concorrentes diretos Isa Marcondes e Jaime Verruck. O partido reconhece o potencial de eleger um representante, mas a chance de eleger dois depende do insucesso da chapa do PSDB nas sobras.
A situação do PP/União é ainda mais complexa. Com a saída de Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende para a federação, o partido conta com pelo menos quatro nomes com expectativa de votação expressiva, incluindo Rose Modesto (União) e o deputado federal Luiz Ovando (PP). Sem a concorrência do PSDB, o grupo teria chances de eleger três deputados, com apenas um ficando de fora. Com a chapa tucana forte, a previsão é que apenas dois se reelejam.
O PL, sob o comando de Reinaldo Azambuja, também enfrenta um cenário desafiador. Com um PSDB competitivo, o partido dificilmente alcançará as três cadeiras que almeja, o que incentiva pré-candidatos a buscarem a “implosão” da chapa tucana. As chances de crescimento do PP/União, PL e Republicanos também podem ser influenciadas pelo desempenho do PT, que almeja eleger dois deputados federais em 2026, o que, se concretizado, adicionaria ainda mais pressão ao grupo governista.


