Teerã classificou nesta segunda-feira (18) as recentes exigências dos Estados Unidos para o fim do conflito como “excessivas”, embora confirme a continuidade das trocas diplomáticas. O Irã, que respondeu a uma nova proposta de Washington, reiterou suas preocupações e, em paralelo, criou um novo órgão para monitorar a navegação e o tráfego de cabos submarinos na estratégica rota do Estreito de Ormuz, sinalizando sua intenção de manter controle sobre a região. O conflito, iniciado por EUA e Israel em 28 de fevereiro de 2026, segue com apenas uma rodada de negociações diretas em meio a um frágil cessar-fogo.
Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, declarou que as tratativas prosseguem com a mediação do Paquistão, mas ressaltou que as contrapartidas iranianas incluem a liberação de ativos congelados no exterior e o fim de sanções históricas, além do pagamento de reparações de guerra por parte dos EUA, classificando o conflito como “ilegal e infundado”. Enquanto isso, no último domingo (17), a agência Fars revelou que Washington propôs restringir o programa nuclear iraniano a uma única instalação e transferir seu estoque de urânio enriquecido para os EUA. Os americanos, por sua vez, teriam recusado liberar os fundos iranianos bloqueados ou pagar indenizações, condicionando o fim das hostilidades a negociações formais de paz.
A agência Mehr endossou as críticas de Teerã, afirmando que os Estados Unidos buscam “obter na mesa de negociação concessões que não conseguiram na guerra, o que levará a um impasse”. Contudo, em um possível sinal de flexibilização, a agência Tasnim informou nesta segunda-feira (18) que o novo texto americano concorda em suspender as sanções sobre o petróleo iraniano durante o período de diálogo, uma mudança em relação a minutas anteriores. A contraproposta iraniana, enviada na semana passada, pedia o fim da guerra em todas as frentes, incluindo a campanha militar israelense no Líbano, e a suspensão do bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos, em vigor desde 13 de abril.
Um dos pontos mais sensíveis das negociações é o controle do estratégico Estreito de Ormuz, vital para o escoamento global de energia e que o Irã mantém praticamente fechado desde o início do conflito, reforçando sua intenção de continuar administrando a rota. Diante da distância entre as posições, Teerã alertou que está “totalmente preparado para qualquer eventualidade” caso os confrontos militares sejam retomados, mantendo um tom de alerta em meio à complexa diplomacia.


