Moisés Martínez, de 28 anos, cumpre pena de 12 anos de prisão no Uruguai. Ele matou o próprio pai, Carlos Martínez, com 14 tiros e permaneceu ao lado do corpo por dois dias antes de se entregar à polícia. O crime ocorreu em Montevidéu após Moisés descobrir que o pai abusava de suas irmãs e mãe. O julgamento, transmitido ao vivo pelo YouTube, gerou grande indignação popular no país.
Histórico de Abusos e Denúncia Precoce
A história de violência familiar remonta a anos. Sara Martínez, irmã de Moisés, denunciou o pai aos 12 anos. Ela presenciou a irmã mais velha, Ana, sendo abusada sexualmente. Sara escreveu “abuso sexual” em um pedaço de papel e o entregou a uma colega de escola, que levou a mensagem à diretora, conforme relatou à BBC News.
Após a denúncia, Sara passou por experiências traumáticas, especialmente durante interrogatórios com peritos forenses. A investigação levou Carlos Martínez à condenação de três anos de prisão, mas ele cumpriu apenas um. Sara afirmou que os abusos físicos e sexuais eram recorrentes. Ela detalhou que o pai abusava dela e da irmã quando a mãe saía para trabalhar. Após as agressões, ele pedia perdão e oferecia um alfajor. “Hoje eu nem consigo comer”, disse ela à BBC.
A família impediu Carlos de retornar à casa após sua libertação. Contudo, ele continuou a aparecer na escola e, posteriormente, no local de trabalho de Sara.
Descoberta e Vingança
Moisés Martínez só descobriu a extensão dos abusos em maio de 2025, após conversar com a mãe e as irmãs. A família revelou que o pai cometia agressões físicas e sexuais contra a mãe e as filhas há anos. Sara tentou impedir o irmão de confrontar o pai, revelando detalhes das violências para demonstrar “do que o pai era capaz”. Mesmo assim, Moisés decidiu procurá-lo.
No dia seguinte, em Montevidéu, Moisés matou Carlos com 14 tiros. Ele permaneceu ao lado do corpo por dois dias antes de se entregar à polícia. O caso teve repercussão nacional. Milhares de uruguaios acompanharam o julgamento ao vivo pelo YouTube, segundo a BBC.
Condenação e Debate Público
Moisés foi condenado a 12 anos de prisão. A defesa buscou aplicar um dispositivo do Código Penal uruguaio. Este dispositivo prevê perdão judicial em casos de homicídio cometidos sob “intensa comoção” causada por violência doméstica prolongada. No entanto, a juíza María Noel Odriozola rejeitou o pedido. O advogado de defesa, Rodrigo Rey, explicou à BBC que a magistrada entendeu que a família não utilizou mecanismos de proteção nos 15 anos anteriores ao crime.
A condenação provocou um debate público no Uruguai. A sociedade discute a violência doméstica e a atuação do Estado nesses casos, conforme noticiado pela Jovem Pan News.


