A tensão entre Cuba e os Estados Unidos aumenta. O governo cubano advertiu na última segunda-feira, 17 de maio de 2026, que qualquer agressão dos EUA resultaria em um “banho de sangue”. Em Havana, a população expressa uma mistura de preocupação e ceticismo, focada na sobrevivência diária em meio à severa crise econômica e energética que assola a ilha.
Crise Econômica e Desconexão Diária
Arminda de la Cruz, guarda de segurança de 56 anos, mora na Havana Velha. Ela prioriza a luta diária contra a escassez. De la Cruz e sua família de sete pessoas, incluindo três crianças, enfrentam a pior crise econômica e energética em décadas. Sua geladeira permanece quase vazia, com apenas algumas garrafas de água no congelador.
“Tentamos não pensar nisso (na guerra), porque temos muitos problemas”, afirma De la Cruz à AFP. Ela busca se desconectar da realidade dos apagões e da falta de alimentos e água. “Tento colocar um pouco de música” para não “enlouquecermos”, explica.
As especulações sobre uma possível ação militar de Washington crescem. O governo cubano reiterou seu direito à autodefesa. “Para mim, o melhor seria que os dois governos chegassem a um acordo”, diz De la Cruz.
Ceticismo e Busca por Mudança
Nas ruas de Havana, a maioria compartilha a preocupação, mas mantém o ceticismo sobre uma guerra iminente. Olaida Pozo, dona de casa de 52 anos, recorda décadas de “mesma ameaça” dos Estados Unidos. “Não acho que isso vá acontecer”, declara Pozo. “É sempre a mesma ameaça… e até agora, esse tipo de bombardeio ou guerra nunca aconteceu”, comenta, sentada na entrada de seu prédio no centro histórico.
Perto do porto, Alexis Pérez, operário da construção de 28 anos, concorda que “uma guerra nunca será boa”. Ele defende a urgência de uma mudança interna. “O que está claro é que precisa haver uma mudança”, afirma Pérez. Ele lamenta a migração como a única saída para muitos jovens, dada a falta de soluções em Cuba. Pérez estocou “alguns suprimentos”, seguindo recomendações da Defesa Civil, mas não acredita em “algo tão dramático” quanto uma guerra. “Temos alguns recursos preparados, nada extremo, talvez dramático, como uma mochila com tudo o que é necessário para fugir”, comenta.
Outros residentes rejeitam a ideia de intervenção militar. Osvaldo Mendoza, operário da construção de 61 anos, argumenta: “A solução não seria uma invasão”. Para ele, o país precisa de desenvolvimento econômico para melhorar o padrão de vida. “Os americanos não são loucos”, acrescenta. Mendoza declara: “O que precisa mudar aqui é o sistema”.
Beatriz, militar reformada de 40 anos, também não se prepara para um conflito. “Não me preparei nesse sentido, porque não acho que precisamos chegar a esses extremos”, diz ela. Beatriz acredita na necessidade de mudanças “para o bem do povo”. “Uma agressão desse tipo, sem bombas nem tiros, não. Mas uma intervenção (dos Estado”. Para mais informações sobre as tensões recentes, leia Cuba Adverte EUA sobre “Banho de Sangue” em Escalada de Tensões.


