A Câmara de Dourados programou para 22 de junho de 2026, uma segunda-feira, a leitura de um novo relatório sobre a vereadora Isa Marcondes (Republicanos). O documento pode levar à cassação de seu mandato por quebra de decoro. A investigação ocorreu após denúncia de violação do descanso de servidores da saúde. A reportagem, contudo, apurou que o relatório recomendará a absolvição da parlamentar.
Os servidores solicitaram a abertura da investigação. Eles alegaram que Isa Marcondes adentrou indevidamente o espaço de repouso dos profissionais de saúde. A vereadora teria realizado gravações sem autorização e consentimento, expondo os trabalhadores. Os denunciantes pediram apuração rigorosa e adoção de medidas administrativas, civis e legais. O objetivo era resguardar direitos trabalhistas, privacidade, imagem e dignidade dos profissionais. Eles também buscavam prevenir a repetição de condutas semelhantes.
Dezesseis vereadores votaram pela abertura da investigação. Daniel Júnior, Adilson Freitas e Edson Antônio se manifestaram contra.
Controvérsia sobre Prazos Processuais
A defesa da vereadora questionou os prazos do processo. Ela alegou que a Comissão de Ética e Decoro da Câmara de Dourados perdeu o prazo regimental para concluir a investigação. O protocolo da denúncia ocorreu em 5 de fevereiro de 2026. O regimento estabelece 90 dias para conclusão, com vencimento em 5 de maio de 2026. A defesa apontou que os vereadores não ouviram Isa Marcondes nem concluíram o caso nesse período.
A defesa argumentou que o prazo na Comissão de Ética difere do Decreto 201, que fixa 90 dias após a notificação do denunciado. Assim, os vereadores deveriam encerrar o caso sem uma decisão, segundo a defesa. Os vereadores rejeitaram o argumento da defesa e mantiveram a tramitação na Comissão de Ética. O partido da vereadora, Republicanos, busca independência na ALMS, em um cenário de onda de crises que atinge lideranças políticas no estado.


