A Navicon Construções Ltda., empresa administrada por Lilian Marcílio da Silva, irmã do atual presidente da Sanesul, Renato Marcílio da Silva, está sob escrutínio após ter mudado de nome apenas 40 dias antes de participar de uma licitação de R$ 181 milhões para manutenção de rodovias estaduais em Mato Grosso do Sul. O processo, conduzido pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), vinculada à Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (SEILOG), levanta questionamentos, uma vez que Renato Marcílio já ocupou a chefia desta mesma secretaria.
Registrada por mais de três décadas como Pactual Construções Ltda., a empresa alterou sua razão social para Navicon Construções Ltda. em 23 de abril de 2026. Essa mudança ocorreu menos de dois meses após Lilian Marcílio transferir a totalidade de suas cotas para uma holding de sua titularidade, a Pactual Participações Ltda., constituída em 19 de fevereiro de 2026. Lilian manteve-se como administradora da construtora, agora sob nova identidade, pouco mais de cinco semanas antes da sessão de abertura de envelopes da licitação, realizada em 8 de junho de 2026.
A concorrência pública visa a manutenção e conservação da malha rodoviária pavimentada e não pavimentada do estado, distribuída em quatro lotes que abrangem as regiões Centro e Leste de Mato Grosso do Sul. A Navicon Construções Ltda. apresentou proposta para o Lote 4, referente à região Leste. A sessão pública de 8 de junho, que contou com a participação de 12 empresas, foi suspensa para análise aprofundada dos documentos de habilitação, e uma nova data deverá ser publicada no Diário Oficial do Estado.
O vínculo de Renato Marcílio da Silva com a antiga Pactual Construções Ltda. vai além de seu período como empregado. Uma procuração cartorária de 2013 revela que ele detinha poderes expressos e com validade indeterminada para atuar em nome da empresa, incluindo “gerir e administrar a firma outorgante; participar de licitações, cartas convites, tomadas de preços e concorrências públicas; apresentar propostas e orçamentos; impugnar concorrentes”. Essa documentação evidencia uma sobreposição de interesses e uma ligação profunda entre o atual presidente da Sanesul e a empresa que agora busca contratos milionários de um órgão que ele já liderou.


