Partidos na Câmara dos Deputados iniciaram a escolha dos membros para a Comissão Especial da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que propõe o fim da jornada de trabalho 6×1. A definição dos nomes, especialmente a do relator, é crucial para as estratégias das legendas, com foco nas eleições de 2026.
A Câmara busca um relator de perfil centrista. O presidente da Casa, Hugo Motta, estabeleceu critérios claros: o indicado deve ter amplo trânsito político, capacidade de diálogo com diversas siglas e habilidade para conciliar os interesses dos trabalhadores e dos setores econômicos impactados. Motta também prioriza um relator discreto, que não utilize a discussão como palanque político. Um parlamentar envolvido nas negociações afirmou que o relator deve ter o perfil de "muito trabalho e pouca mídia". O deputado Paulo Azi, que relatou a proposta na CCJ da Câmara, surge como uma possibilidade para a relatoria.
As discussões podem enfrentar entraves em relação ao tempo de transição para a implementação da redução da jornada de trabalho e às compensações para o setor produtivo. A base governista defende a aprovação imediata da PEC. O presidente Lula poderia, assim, capitalizar a medida durante a campanha eleitoral de 2026, visando aumentar sua popularidade e índices de aprovação. Ajustes na estratégia política para 2026 são constantes. Já a oposição busca um período de transição mais longo, oferecendo proteção e contrapartidas aos empresários e setores mais afetados.
Nesta quarta-feira, 21 de abril de 2026, Hugo Motta publicou em uma rede social que pretende levar a proposta "ao plenário ainda em maio". Ele reiterou que "o compromisso é avançar rápido, mas sempre com muito equilíbrio e responsabilidade".


