Jorge Messias, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Lula (PT), elogiou o ministro André Mendonça e reiterou sua posição contrária ao aborto durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, nesta quarta-feira (29) de abril de 2026. Messias defendeu a abertura da Suprema Corte ao aperfeiçoamento institucional e sublinhou a importância dos valores cristãos em sua trajetória.
O atual advogado-geral da União chamou André Mendonça de “irmão de fé” e “grande amigo”, classificando-o como um dos melhores ministros do tribunal. Messias comparou as idades em que ambos foram sabatinados para o STF: Mendonça tinha 48 anos, enquanto ele tem 46. “Mendonça dá orgulho ao Brasil, e que ele tem orgulho de ser apoiado por ele”, afirmou Messias. A declaração respondeu a um questionamento do senador Esperidião Amin (PP-SC) sobre a juventude das nomeações para a Corte.
Credibilidade do STF e Aperfeiçoamento
Messias enfatizou a credibilidade do STF como “um compromisso e uma necessidade”, citando o senador Magno Malta (PL-ES). Ele defendeu que a Corte deve se manter aberta a mudanças. “Precisamos por sua importância, de que o STF se mantenha aberto ao aperfeiçoamento. A percepção pública de que Cortes supremas resistem à autocríticas e ao aperfeiçoamento institucional tendem a pressionar da relação entre a jurisdição e a nossa democracia”, declarou. Ele completou que “em uma República, todo poder deve ser sujeitar a regras e contenções”.
“A justiça não toma partido. Não é a favor ou contra. Não aplaude e não censura. Acredito que esse acatamento respeitoso é o ponto de partida para uma interação sadia entre a jurisdição constitucional e a política”, continuou o indicado.
Fé e Trajetória Pessoal
Evangélico e membro da Igreja Batista, Messias abordou sua fé durante a sabatina, afirmando que os princípios cristãos guiam sua vida. “Devo lhe dizer, como servo de Deus, que os princípios cristão me acompanham em qualquer jornada da minha vida. Tenho certeza que o Estado laico não interdita considerar a base ética cristã que se meta à nossa Constituição. É possível interpretar a Constituição com fé, e não pela fé”, disse ele.
Messias destacou sua trajetória de vida, construída sem tradição hereditária no Judiciário, mas por meio de estudo e trabalho. “Sou nordestino, evangélico, filho da classe média brasileira, sem tradição hereditária no Poder Judiciário. Chego aqui pelo estudo, pelo trabalho, pela minha família, pelos meus amigos, irmãos pela fé em Deus. E, consequentemente, pela confiança da minha trajetória de vida. Uma vida de disciplina e humildade, portanto uma vida verdadeiramente cristã”.
Posição Firme Contra o Aborto
Durante a sabatina, Messias tratou de temas polêmicos, como o aborto, e afirmou ser “totalmente contra” a prática. “Da minha parte, não haverá qualquer tipo de ação de ativismo em relação ao tema aborto na minha jurisdição constitucional. Eu quero deixar absolutamente vossas excelências tranquilos quanto a isso”, garantiu.
O advogado-geral da União ressaltou que o aborto deve ser “objeto de reprimenda”. “Quero até dizer que nenhuma prática de aborto pode ser comemorada ou celebrada, muito pelo contrário, deve ser objeto de reprimenda. Mas isso é a minha concepção pessoal, filosófica, cristã”, explicou. Ele concluiu: “Qualquer que seja a circunstância, é uma tragédia humana. Agora, a gente precisa olhar também com humanidade à mulher, à adole”.


